Tempos de Emoção

Não me surpreenderia saber que a maior parte dos movimentos políticos, sejam resultado da intuição de que algo está errado. Afinal, se nossas motivações servem para algo, é para nos guiar para caminhos que consideramos certos. Entretanto, a realidade hoje já não é a mesma de 10.000 anos atrás, mas nosso sistema emotivo sim.

Certamente, houveram modificações de lá pra cá, ainda que superficiais. Não andamos de camelos e sim em carros, vivemos em prédios em vez de ocas. E até nossos valores não são os mesmos.

A globalização trouxe avanços inegáveis, ainda que tenham um custo. Pensando neste fato é bom se perguntar, como conciliar os valores com determinadas intuições? Imagine este exemplo, você está passando e vê uma pessoa se afogando, qual sua atitude, escolheria ajudar ou passaria direto?  Provavelmente, há de concordar que a tendência natural é ajuda-la. Se ela estivesse distante, ajudaria da mesma forma?

Há pessoas em situações semelhantes neste exato momento, só que em locais mais distantes como a Ásia ou África. Será que a distância geográfica é um fator importante na decisão de ajudar ou não?

Singer é um dos que acredita que devemos doar um parcela de nosso patrimônio para entidades de caridade fazerem justamente isso. Ele suporta a tese de que a distinção entre uma pessoa próxima e distante não faz diferença, temos a obrigação moral de ajudar.

Particularmente, não tenho uma objeção direta a esse argumento, se praticasse as sugestões da teoria que ele defende, o utilitarismo, provavelmente doaria uma parcela do que ganho para alguma entidade. Todavia, ainda que não aceite a distinção, não me sinto compelido a ajudar os africanos da mesma forma que me sentiria se fosse um amigo ou alguém próximo se afogando.

É, nem tudo são flores, há muitos problemas que dependem da ajuda individual e não apenas de investimentos econômicos, porém a tarefa de convencimento é focada nos valores, e neste âmbito, só há discordância.

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