Academia: Parte 2

Qualquer pessoa cientificamente informada sabe que há uma crise no modelo de publicação mundial. Diversos estudos não são replicados, os critério de aceitação são duvidosos, as taxas cobradas pela leitura de artigos é exorbitante. Em resumo, a universidade é basicamente sinalização de status e não resposta de problemas.

Uma das saídas propostas é adotar modelos alternativos, como jornais de acesso público. O ensino online é bastante responsável por esta mudança. Pra que escutar um tolo qualquer se você pode ter acesso ao melhor professor do mundo na sua especialidade? Informação de qualidade por um preço baixo. Assim como em outros setores, a concorrência é uma das melhores formas de retirar os ‘fakers’ do jogo.

Obviamente, há maneiras de simular qualidade, utilizando jargão desnecessário e estatísticas sem sentido. No entanto, com este sistema de correção mútua, fica mais difícil a passagem de material de baixa qualidade, assim como a Lei de Sturgeon afirma, 90% do que se produz intelectualmente é lixo. Disso se segue que a formação de clusters é algo inevitável, mas com a crítica agora pode ser feita por diversos especialistas, o nível de exigência e critério de avaliação muda.

Nacionalmente este processo irá chegar – assim como outras inovações – com algum tempo de atraso. Porém, meu caro professor arcano de sabedoria profunda, será adotado. Inicialmente, porque as informações circulam com maior velocidade, e segundo, porque já é visível a ineficiência da academia perante a indústria. Um projeto para ser aprovado no mundo acadêmico leva de meses a anos, enquanto dentro de uma empresa isto ocorre dentro de semanas, porque se percebe de imediato a perda que se irá ter caso haja algum delay.

Para não perder a oportunidade, a área a qual me dedico – filosofia – recentemente lançou um jornal de acesso público: Ergo.

Confundidos pelo Cânone

A espécie humana, assim como outros primatas  tendem a imitar aquilo o que funciona. Na academia não é diferente, normalmente não iniciados copiam de forma tosca o que os professores dizem e fazem, e só depois de um tempo adquirem autonomia para perceber onde podem ser originais. Isto pode ser extendido para qualquer grupo, contudo, naqueles baseados em dogma, se rebelar não é visto com bom olhos.

Este comportamento não é de todo mal, para produzir algo original é necessário conhecimento acumulado. No entanto, há muito encenação.  Até os físicos perseguem fantasmas, quando desviam grande parcela dos seus recursos para uma linha de pesquisa, e deixam de avaliar abordagens não tão “quentes”.

Seguir os maiores nomes de uma ciência ou linha de pesquisa ajuda a saber o que alguém que se destaca produz, mas não responde como esta pessoa chegou lá.  Responder uma questão nem sempre depende de habilidade técnica. Muitos insights foram obtidos em situações incomuns, e geraram aplicações posteriores que não estavam nos planos de seu descobridor. O laser e a internet são exemplos que vem a memória.

Além disso, uma série de pensadores surgiram a margem das idéias mainstream. Céticos, anarquistas e alguns iluministas não eram acadêmicos, e deram  boas contribuições. Mas na situação atual, encenar somente não é suficiente, tem que se encenar com proprieda. O mercado força os indivíduos a darem respaldo,  através de sinalizações, como  publicações e conferências.