Complexidade Assassina

Na sociedade da informação é um tanto incomum encontrar pessoas que vivam nas cidades e não estejam conectadas. A rede já faz parte da vida, e é tão real para os objetivos das pessoas, como o são as ruas. Para alguns isto é mal, e seria melhor voltarmos a um período anterior, onde não havia nenhuma tecnologia sofisticada, e vivíamos em tribos correndo nus.

Em geral, pessoas que defendem ideias semelhantes ou o fazem por perceber algum risco iminente, ou por assumir que estamos cultivando valores distorcidos. Me alinho ao primeiro grupo, penso que há riscos sérios para o modo como estamos ‘progredindo’, e seria interessante adotar políticas que aumentassem nossa coordenação como espécie, assim como a segurança geral contra catástrofes.

Não me entendam mal, diversas tecnologias surgidas nas últimas décadas são surpreendentes, e as utilizo diariamente. Porém, admito com o aumento da complexidade, vem uma exposição maior a cisnes negros negativos, isto é, eventos catastróficos, que resultam de nossa tentativa de aumentar a eficiência.  

A grande depressão, crises econômicas, desastres nucleares como o de Fukushima ocorrem não por incompetência, mas por cegueira nossa situações antes nunca ocorridas. A usina japonesa foi desenvolvida considerando o ‘maior’ terremoto ocorrido na região, de 8,2, e mesmo assim não evitou que ocorresse uma contaminação.

Estes eventos não podem ser eliminados, são uma parte intriseca da natureza. E surgem quando os sistemas atingem pontos críticos. Foi o que ocorreu em 2008, o mercado imobiliário americano sofreu um colapso devido as hipotecas de casas, gerando um débito que se transferiu para diversas partes do mundo.

Em resumo, pode-se parecer alarmista levantar este tema. Todavia, é sempre bom ter uma margem de segurança quando a consequência para a negligência é a extinção.

Privacidade e Transparência

Muitas pessoas não gostam que violem sua privacidade. Preferem manter informações de forma sigilosa, pois sua exposição gera mais problemas do que soluções. Em tempos de Internet, esta é uma questão acerca do sistema informacional que temos, e de qual desejamos ter.

Imagine você, caro leitor, que o Google tivesse acesso a todos os passos que dá durante o dia, ativando seu GPS remotamente quando quisesse, checando e filtrando seu email, ou monitorando o tipo de conteúdo que consome em busca de modos de te controlar. Certamente, você poderia achar este tipo de monitoramento um tanto invasivo, e como qualquer pessoa, também penso o mesmo. A questão aqui é admitir onde se deve ter privacidade. 

Vários eventos recentes indicam para excessos praticados pelo governo americano, sendo fonte de denúncias, feitas inclusive por seus próprios funcionários. A questão aqui reside no grau de transparência que se deve ter, com o intuito e minimizar os conflitos. Em princípio, os governos devem ser transparentes para seus cidadãos, ao menos em questões que lhes dizem respeito. Em outras, é melhor manter sigilo, pois pânico generalizado é algo que poucos desejam.

Outro ponto interessante, é admitir a arquitetura diferentes. Se tivéssemos um controlador central por onde grande parte das informações fosse filtrada, estaríamos melhor do que um sistema distribuído P2P?

Vamos considerar os dois casos. No primeiro temos um ponto onde intervenções seriam bem mais eficientes do que em um onde não há inúmeros pontos. Inicialmente pode parecer uma maneira adequada de evitar, no entanto, caso este controlador central caísse sobre posse de pessoas mal intencionadas, ou sofresse um ataque fulminante de uma inteligência artificial, a maior parte das pessoas seria afetada.

Muitos tendem a pensar que transparência por parte do governo é algo bom, mas esquecem que defendem a privacidade pessoal. Conciliar estas duas aspirações é algo hoje tão importante quando o investimento em setores tradicionais, não porque já representa uma de nossos pilares, mas porque pode resultar em uma de nossas tragédias.