Privacidade e Transparência

Muitas pessoas não gostam que violem sua privacidade. Preferem manter informações de forma sigilosa, pois sua exposição gera mais problemas do que soluções. Em tempos de Internet, esta é uma questão acerca do sistema informacional que temos, e de qual desejamos ter.

Imagine você, caro leitor, que o Google tivesse acesso a todos os passos que dá durante o dia, ativando seu GPS remotamente quando quisesse, checando e filtrando seu email, ou monitorando o tipo de conteúdo que consome em busca de modos de te controlar. Certamente, você poderia achar este tipo de monitoramento um tanto invasivo, e como qualquer pessoa, também penso o mesmo. A questão aqui é admitir onde se deve ter privacidade. 

Vários eventos recentes indicam para excessos praticados pelo governo americano, sendo fonte de denúncias, feitas inclusive por seus próprios funcionários. A questão aqui reside no grau de transparência que se deve ter, com o intuito e minimizar os conflitos. Em princípio, os governos devem ser transparentes para seus cidadãos, ao menos em questões que lhes dizem respeito. Em outras, é melhor manter sigilo, pois pânico generalizado é algo que poucos desejam.

Outro ponto interessante, é admitir a arquitetura diferentes. Se tivéssemos um controlador central por onde grande parte das informações fosse filtrada, estaríamos melhor do que um sistema distribuído P2P?

Vamos considerar os dois casos. No primeiro temos um ponto onde intervenções seriam bem mais eficientes do que em um onde não há inúmeros pontos. Inicialmente pode parecer uma maneira adequada de evitar, no entanto, caso este controlador central caísse sobre posse de pessoas mal intencionadas, ou sofresse um ataque fulminante de uma inteligência artificial, a maior parte das pessoas seria afetada.

Muitos tendem a pensar que transparência por parte do governo é algo bom, mas esquecem que defendem a privacidade pessoal. Conciliar estas duas aspirações é algo hoje tão importante quando o investimento em setores tradicionais, não porque já representa uma de nossos pilares, mas porque pode resultar em uma de nossas tragédias.

Tempos de Emoção

Não me surpreenderia saber que a maior parte dos movimentos políticos, sejam resultado da intuição de que algo está errado. Afinal, se nossas motivações servem para algo, é para nos guiar para caminhos que consideramos certos. Entretanto, a realidade hoje já não é a mesma de 10.000 anos atrás, mas nosso sistema emotivo sim.

Certamente, houveram modificações de lá pra cá, ainda que superficiais. Não andamos de camelos e sim em carros, vivemos em prédios em vez de ocas. E até nossos valores não são os mesmos.

A globalização trouxe avanços inegáveis, ainda que tenham um custo. Pensando neste fato é bom se perguntar, como conciliar os valores com determinadas intuições? Imagine este exemplo, você está passando e vê uma pessoa se afogando, qual sua atitude, escolheria ajudar ou passaria direto?  Provavelmente, há de concordar que a tendência natural é ajuda-la. Se ela estivesse distante, ajudaria da mesma forma?

Há pessoas em situações semelhantes neste exato momento, só que em locais mais distantes como a Ásia ou África. Será que a distância geográfica é um fator importante na decisão de ajudar ou não?

Singer é um dos que acredita que devemos doar um parcela de nosso patrimônio para entidades de caridade fazerem justamente isso. Ele suporta a tese de que a distinção entre uma pessoa próxima e distante não faz diferença, temos a obrigação moral de ajudar.

Particularmente, não tenho uma objeção direta a esse argumento, se praticasse as sugestões da teoria que ele defende, o utilitarismo, provavelmente doaria uma parcela do que ganho para alguma entidade. Todavia, ainda que não aceite a distinção, não me sinto compelido a ajudar os africanos da mesma forma que me sentiria se fosse um amigo ou alguém próximo se afogando.

É, nem tudo são flores, há muitos problemas que dependem da ajuda individual e não apenas de investimentos econômicos, porém a tarefa de convencimento é focada nos valores, e neste âmbito, só há discordância.

Academia: Parte 2

Qualquer pessoa cientificamente informada sabe que há uma crise no modelo de publicação mundial. Diversos estudos não são replicados, os critério de aceitação são duvidosos, as taxas cobradas pela leitura de artigos é exorbitante. Em resumo, a universidade é basicamente sinalização de status e não resposta de problemas.

Uma das saídas propostas é adotar modelos alternativos, como jornais de acesso público. O ensino online é bastante responsável por esta mudança. Pra que escutar um tolo qualquer se você pode ter acesso ao melhor professor do mundo na sua especialidade? Informação de qualidade por um preço baixo. Assim como em outros setores, a concorrência é uma das melhores formas de retirar os ‘fakers’ do jogo.

Obviamente, há maneiras de simular qualidade, utilizando jargão desnecessário e estatísticas sem sentido. No entanto, com este sistema de correção mútua, fica mais difícil a passagem de material de baixa qualidade, assim como a Lei de Sturgeon afirma, 90% do que se produz intelectualmente é lixo. Disso se segue que a formação de clusters é algo inevitável, mas com a crítica agora pode ser feita por diversos especialistas, o nível de exigência e critério de avaliação muda.

Nacionalmente este processo irá chegar – assim como outras inovações – com algum tempo de atraso. Porém, meu caro professor arcano de sabedoria profunda, será adotado. Inicialmente, porque as informações circulam com maior velocidade, e segundo, porque já é visível a ineficiência da academia perante a indústria. Um projeto para ser aprovado no mundo acadêmico leva de meses a anos, enquanto dentro de uma empresa isto ocorre dentro de semanas, porque se percebe de imediato a perda que se irá ter caso haja algum delay.

Para não perder a oportunidade, a área a qual me dedico – filosofia – recentemente lançou um jornal de acesso público: Ergo.