Convergência de Valores

Não se ter conjunto de valores definidos é algo reconhecido pela generalidade das pessoas, em termos de questões normativas, a discordância moral impera. Se houvesse uma maior transparência, certamente saberíamos porque as pessoas tem valores diferentes, ainda que em alguns casos se diga abertamente a razão de determinada ação — o que por si só não é suficiente para amenizar a discordância. Porém, em termos de objetivos, ter inconsistências internas e discordância acerca da teoria normativa a se adotar é algo mal. Inicialmente, porque leva a conseqüências indesejáveis como guerras, genocídios e mortes desnecessárias a nível global, e individualmente, leva a frustrações. Segundo, porque para solucionar estes problemas é necessário compreender como solucionar questões morais antigas.

A manutenção de valores através de modificações que ocorrem através do tempo não parece ser algo mister para nós, cuja estrutura cognitiva se mantém praticamente a mesma a alguns milhares de anos. Porém, para uma agente com capacidade de se auto-modificar, ter inconsistências é algo que pode ser superado, caso se tenha um mapa da realidade suficientemente acurado. Todavia, temos não só um problema científico, a correta origem das nossas disposições para valorizar, como também temos um problema acerca de qual teoria normativa adotar, em face da urgência de problemas globais, nos quais se incluem cenários onde sofremos modificações morfológicas, e aonde a quantidade de pessoas vivas influencia o valor final de cada cenário. 

Para solucionar isto é preciso ou criar um agente fruto de nossa teoria científica mais adequada, ou encontrar modificações institucionais que possibilitem a convergência. Por exemplo, a comparação interteórica  possibilita a ordenação de cursos de ação vistos por teorias morais diferentes. A idéia embrionária aparenta ser um avanço. Quanto a situação da inteligência humana, sabe-se que nossas limitações impedem que consigamos avaliar corretamente o que desejamos, e mesmo se desejamos algo no final das contas. Além das barreiras conhecidas, cognitivas e ambientais, temos o surgimento de novos fatores que pesam na deliberação como surgimento de novas tecnologias.

Em suma, não vejo sinal de solução do debate entre deontologistas e consequencialistas a curto ou médio prazo. Se as preocuações quanto a solução de problemas necessita do consenso entre eticistas, então é desejável que se atinja um consenso o quanto antes.

 
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