Discordar para quê?

Imagine um tópico no qual você acredite que sua posição é provavelmente verdadeira, enquanto a de outra pessoa é falsa. Agora considere isto, esta outra pessoa é tão inteligente e criativa quanto você, conhece seus argumentos detalhadamente, só ocorre que ele simplesmente não aceita a conclusão.

Esta é uma situação paradigmática de discordância. A resposta “básica” em situações como essa é admitir que pessoas racionais devem concordar, ou seja, dois agentes caso tenham acesso as mesmas informações, devem chegar a mesma conclusão, e estabelecer iguais credências para um determinado evento. Todavia, se sabe que atingir este estado epistêmico ideal não é possível, de modo que heurísticas que nos ajudem em situações como essa são bem vindas.

Uma delas é admitir que há a discordância, e a partir daí adotar alguma atitude. Uns afirmam que devemos manter as crenças iniciais ao saber que temos um par epistêmico igualmente capaz. Outros sugerem que devemos nos mover em direção ao centro, isto é, se afirmo que determinado evento possui uma probabilidade 0.8 de ocorrer, enquanto o par epistêmico indica 0.2, tanto eu quanto o meu par estamos descalibrados, e devemos no mover 0.5.

Todavia, esta atitude não funciona em todos os casos, pois certamente há situações onde estou correto(ou errado) logo de início, sem necessitar mover minha credência em direção a do meu par epistêmico. Neste caso posso afirmar que não tínhamos acesso a mesmas informações, e que portanto um haveria de estar equivocado.

Acredito que isto ocorre na maioria dos casos, ou seja, quando há discordância, é porque um dos lados, ou os dois, seguiram a linha de raciocínio errada.

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Convergência de Valores

Não se ter conjunto de valores definidos é algo reconhecido pela generalidade das pessoas, em termos de questões normativas, a discordância moral impera. Se houvesse uma maior transparência, certamente saberíamos porque as pessoas tem valores diferentes, ainda que em alguns casos se diga abertamente a razão de determinada ação — o que por si só não é suficiente para amenizar a discordância. Porém, em termos de objetivos, ter inconsistências internas e discordância acerca da teoria normativa a se adotar é algo mal. Inicialmente, porque leva a conseqüências indesejáveis como guerras, genocídios e mortes desnecessárias a nível global, e individualmente, leva a frustrações. Segundo, porque para solucionar estes problemas é necessário compreender como solucionar questões morais antigas.

A manutenção de valores através de modificações que ocorrem através do tempo não parece ser algo mister para nós, cuja estrutura cognitiva se mantém praticamente a mesma a alguns milhares de anos. Porém, para uma agente com capacidade de se auto-modificar, ter inconsistências é algo que pode ser superado, caso se tenha um mapa da realidade suficientemente acurado. Todavia, temos não só um problema científico, a correta origem das nossas disposições para valorizar, como também temos um problema acerca de qual teoria normativa adotar, em face da urgência de problemas globais, nos quais se incluem cenários onde sofremos modificações morfológicas, e aonde a quantidade de pessoas vivas influencia o valor final de cada cenário. 

Para solucionar isto é preciso ou criar um agente fruto de nossa teoria científica mais adequada, ou encontrar modificações institucionais que possibilitem a convergência. Por exemplo, a comparação interteórica  possibilita a ordenação de cursos de ação vistos por teorias morais diferentes. A idéia embrionária aparenta ser um avanço. Quanto a situação da inteligência humana, sabe-se que nossas limitações impedem que consigamos avaliar corretamente o que desejamos, e mesmo se desejamos algo no final das contas. Além das barreiras conhecidas, cognitivas e ambientais, temos o surgimento de novos fatores que pesam na deliberação como surgimento de novas tecnologias.

Em suma, não vejo sinal de solução do debate entre deontologistas e consequencialistas a curto ou médio prazo. Se as preocuações quanto a solução de problemas necessita do consenso entre eticistas, então é desejável que se atinja um consenso o quanto antes.

 

Hello Blog!

 

Já algum tempo desejava criar um blog para escrever o que penso. Por um tempo, escrevi vários textos, mas poucos foram expostos a público. Bem, acredito que já é hora de expor os pensamentos, e manter um caderno de anotações online. Basicamente, irei escrever sobre filosofia, que é a área a qual escolhi, para bem ou para mal. Disso se segue que irei escrever também sobre ciência, mente, linguagem, epistemologia, racionalidade, futuro e qualquer tópico que considere importante.